Walter Benjamin talvez tenha sido o melhor escritor não-escritor a ter existido. Dono de apenas uma pequena produção que poderíamos chamar per se de literária – alguns livros breves de crônicas e relatos e um livro de sonetos – que no entanto será suficiente para firmar sua posição como um dos maiores estilistas do século XX. Talvez se Walter Benjamin escrevesse no contexto atual não haveria dúvida quanto a sua condição de escritor mas talvez se Walter Benjamin escrevesse somente agora não existiria o contexto atual para recebê-lo.
Se conquistou essa posição isso certamente foi fruto de sua escrita fotográfica. Quando escreve não há uma preocupação em narrar acontecimentos corrídos ou contar estórias. Ao se focar em apenas algums recordações quase irrelevantes e se apoiando em objetos, que muitas vezes passariam desapercebidos, interessa-o impôr no seu texto toda a potência inscrita nesse instantâneo de memória. Interessa-o construir uma imagem e não um filme. Benjamin (re)inaugura uma nova escrita ao se firmar somente no plano vertical da temporalidade.

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